17 Agosto de 2010 - Etapa 2 - Mealhada - Fátima

Etapa 2:
O gang voltou-se a reunir para dar continuidade ao passeio (V.N.Gaia - Mealhada) feito pelo presidente e o vice-presidente, num dos dias mais quentes do ano, tendo conseguido chegar à Mealhada, depois
de bebidos 10 garrafões de água, tal era a temperatura no meio do monte. Assim, esta etapa, teria dois significados: dar continuidade à travessia até então efectuada e a outra um significado pessoal e religioso, ou seja, em virtude do acidente ocorrido ao Vitokorov, estava neste dia marcada a sua cirurgia, ficando assim combinado quando chegássemos ao Santuário, colocarmos um vela pelo nosso amigo, pedindo ajuda divinal nesse dia difícil da sua vida.  Depois de malas aviadas, partimos pelas 07H30, fazendo parte do pelotão, o Presidente (J. Almeida), Tojo (Vítor Santos), Márito Miragaia (M. Almeida) e o kiko (H.Santiago), em direcção à Mealhada, para início da travessia. Depois de barriguinha cheia, pois claro, porque este pessoal não se alimenta de barras, lá metemos “rodas” a caminho. Face ao calor existente, e em virtude de o caminho ser maioritariamente no meio do monte, um dos principais problemas foi ao nível da água, pois sentimos muitas dificuldades em encher os “bidons”, que mais pareciam estarem todos furados. Milagrosamente no meio do nada, encontramos um livraria, que simpaticamente a sua responsável, os encheu, aproveitando esta altura para “sacar” umas nozes e figos ao Kiko, que religiosamente leva nos nossos passeios.   
  Por esta altura recebemos a notícia que a cirurgia do Vitokorov tinha sido adiada sem data marcada, continuando contudo concentrados no objectivo que anteriormente tinha sido traçado. Claro que houve tempo para as fotos da praxe, desta feita, no famosíssimo Portugal dos Pequeninos – Coimbra, onde em tempos fiz segurança à porta, onde eu era um “bicho” autêntico, tendo em conta o “cabedal” que tinha e as pessoas que o visitam. Passamos ainda pelas ruínas em Conimbriga.
    Por estas andanças já o Mário perguntava, “Quantos kms faltam até Fátima???”, pergunta esta que fez dezenas de vezes ao longo do dia, já que esteve sempre atento, para poder atacar na recta da meta e ganhar assim o spint e levar a camisola branca.
        Já com cerca de 60Km efectuados e com uma boa porrada nas pernas, encontramos um restaurante, que na altura pensei ser uma miragem, aproveitando de imediato para uma pausa para uma alimentação mais consistente, tendo o pessoal optado por bifes com cogumelos, tendo o
presidente, para ser diferente, escolhido Bacalhau, refeição facilmente digerível, para fazer os restantes 80km.
    
    Aqui, já os elementos do “carro vassoura”, compostos pelos habituais Narciso e Mendes , estavam em constante contacto telefónico, para aferirem a nossa localização, mas como o nosso “índio” de serviço era o Gigantone, tudo seria de esperar. 
     Deu para sentir a força dos fogos e a destruição que conseguem provocar, passando por autenticos locais, todos pintados de cinzento e preto...muito triste..., onde junto a Penela, num single-track e com muita admiração nossa, o Rio Corvo encontrava-se seco, exitindo apenas terra e pó, em vez de água. 
       A determinada altura e quando fazíamos uma passagem por uma residência, no meio do nada, 4 crianças encontravam-se a brincar numa piscina, e mal nos viram, em coro começaram a dizer “estão perdidos, estão perdidos”. Das duas três, ou aqueles miúdos nunca viram naquele local malucos de bicicleta, ou estávamos mesmo perdidos, e aí então estava na altura de tirar o escalpe ao “índio”.
    Já com 90km nas perninhas, fizemos uma breve paragem num café, para o Kiko, derreter uma grade de águas com gaz, pois o almoço tinha “caído” mal, sabem porquê????? Acertaram, ele tinha enchido as velas de cerveja e depois não se aguentou das canetas.   
   Já com a noite a cair, a fome apertar e as pernas a fraquejar, sabíamos que o bom ainda estava para vir, ou seja, subir a última parede até ao Santuário. Com muita força e sacrifício, pelas 20H00, chegamos ao objectivo final, ou seja o Santuário de Fátima, onde cada um teve oportunidade de na sua crença e devoção, fazer o seu momento de retiro espiritual, que aquele local propicia.

De seguida fomos pedir autorização ao Posto da GNR de Fátima, que prontamente nos cederam as instalações para tomarmos banho e assim prepararmos para a fase seguinte, ou seja o jantar, que estava programado para ser na Mealhada. Em virtude de ter esquecido dos calçoes no carro do Kiko, que estava estacionado na Mealhada, fui obrigado a sair do mesmo, de cuecas, contudo foi devidamente disfarçado, pois mais parecia uns calçoes curtos.
Depois de muita discussão, o que é normal no grupo, foi decidido jantar por Coimbra, prevalecendo a vontade doo ao kiko, especialista em gastronomia e conhecedor dos melhores 10 restaurantes do país.

Kiko, Narciso, Tojo, Márito, Mendes e Gigantone

       Diga-se de passagem que comemos muito bem, o Kiko nunca se engana, fartando-me de comer Picanha. 
       Demoramos assim para efectuar os 140 Km entre Mealhada e Fátima, pelos Caminhos de Fátima, cerca de 11H00, ficando para a posteridade as fotos e amizade, e, desta feita também o dever de missão, que une este grupo e esta Equipa – ECOBIKE.

            "Só eu sei porque não fico em casa"

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