8ª Etapa Circuito NGPS- Vila Nova Cerveira

     Na 8ª etapa do Circuito NGPS, estava prevista mais uma internacionalização...lol.. Uma vez mais tive o convite do J.Almeida para juntos fazermos mais esta aventura, contando ainda com o Laranjeira e o Bruno, que se tem tornado uma boa surpresa nestas etapas.
     A partida já era conhecida por nós e depois de dorsai s levantados, tínhamos que ir tirar a foto da praxe junto do Cervo, de forma a enquadrar as suas imponente astes, na nossa cabeça…lol…
Para esta etapa não estava prevista grande coça, que no fim se veio a confirmar.
     O início foi feito sempre a subir mas feita de uma forma tranquila, ou digamos, aquecimento ideal para o restante.
    Optamos por fazer um pequeno desvio e efetuar a descida em alcatrão até ao Cervo, que não poderíamos faltar, tal é a beleza a partir daquele ponto, com belas vistas para uma ilha em forma de coração, do melhor mesmo.
    Neste local já se encontrava o grupo do Anselmo, que tinham decidido fazer a etapa mais pequena.
     Foto para cima, foto para baixo e siga que se fazia tarde e ainda faltavam muitos quilómetros.
   O percurso não era muito exigente, nem tinha grandes dificuldades técnicas e físicas. Era composto por uns single track bem porreirinhos de se fazerem, exceto uma passagem por entre picos, que nos vimos e desejamos para que acabassem rápido.            Ainda bem que tive a ideia de levar manguitos, que deu uma grande ajuda nesse local, que mesmo assim aqueciam os braços e bem….
   

16 Agosto 2013 – Piodão – Loriga (assistir à etapa da Serra da Estrela)

      O  Presidente da Ecobike decidiu juntar um grupo de 16 prós e aproveitar o dia em que a Volta subia à torre, para assistirmos in loco à etapa rainha. Depois de ter feito a subida à Srª da Graça, o meu objetivo se possível era tentar subir também ao cimo da Serra da Estrela, mas….
       Aproveitando o calor, o Jorge como bom conhecedor daquele local, tinha delineado pelo menos duas passagens em praias fluviais, nomeadamente Chão D´Égua e Loriga.
        Assim, saímos bem cedo de Gaia, pois tínhamos pela frente cerca de 240 km, até à freguesia de Piodão.
        Ali chegados, ainda houve tempo para abastecer a barriguinha, comprar o já habitue recuerdo híman para o frigorífico, e tirar as normais fotos de grupo, para mais tarde recordar.
      A etapa começou e bem, em Piodão - freguesia do concelho de Arganil, situada numa encosta da Serra do Açor e que por curiosidade tem uma freguesia com a minha alcunha (tojo) …lol…
Estas habitações são ladeadas por paredes de xisto e com telhados cobertos por lajes, sendo uma das Aldeias históricas protegidas.
     Assim, pelas 10H00, lá começamos a viagem,
com o índio J. Almeida a comandar o grupo, já que tinha estado toda a noite a traçar e a estudar os trilhos da zona. Claro que isso preocupava-me tendo em conta o historial deste super atleta…lol…
      O início não estava fácil, com um single-track muito técnico, com muita pedra, que obrigava muitas vezes a desmontar e a carregar as bikes.
       Mas o presidente tinha uma carta na manga e eis que tomem lá, reclamem agora.
Estávamos nada mais, que no 1º paraíso programado para hoje, ou seja a mágica, magnifica, estonteante aldeia de Chão D´Égua.
     O nome desta aldeia, veio do tempo de ocupação romana, por ali serem criadas as éguas para serem atreladas nos carros de desporto e combate. 
        Depois de ultrapassada uma ponte pênsil, que pese embora seja privada, o seu dono- Sr. Carlos Borges, pessoa conhecida pela sua simpatia, não causa entraves, descemos até à praia fluvial, onde se encontram a ribeira de Piodão com a ribeira de Chãs.  
       Já ali se encontravam a deleitar em banhos o Vítor e o Mário, e eis que …fui ao mergulho todo vestido…lol…quase que ia ao fundo com o peso das botas de btt….lol…
        De seguida foi a debandada geral, mergulhos, brincadeiras, risadas, fotos…enfim…foi a loucura total, realmente à muito que já não me divertia assim, em que mais parecíamos um grupo de miúdos que vai à praia pela primeira vez, é tão bom este sentimento, não acham?????
         Aqui a dificuldade foi sair da água e continuar viagem. Bem, lá tinha de ser, e pelo cardápio, tínhamos a bela da subida até à Torre, ou pelo menos parte dela. Depois de um breve abastecimento e concertar o pneu furado do chaço

11 Agosto 2013 – Campo (Valongo)- Srª da Graça- Campo (Valongo)

   Todos os amantes do ciclismo, sejam eles de que vertente forem, btt, estrada, federados, não federados, mancos ou prós… gostam do mês de Agosto, pois é sinal de Volta a Portugal em bicicleta. No dia de hoje estava marcada uma das mais emblemáticas e complicadas etapas, ou seja a subida à Srª da Graça- Mondim de Basto. 
   O Pereira lá me desafiou, conseguindo mesmo uma “bike fininha” emprestada para o acompanhar e assim não ter desculpa de recusar…lol..
     Pois bem, todos sabem que estrada não é a minha praia e andar com pessoal com experiencia e bicicletas de alguns milhares de euros, era sinal de empeno certo.
    Contudo decidi aceitar, pelo desafio, experiência e porque nunca tinha assistido in loco a todos os preparativos e caravana da prova mais importante do calendário nacional, pelo que era algo que me entusiasmava.
       A partida estava prevista para as 07H00 em Campo – Valongo e como é normal em grupos grandes, o atraso acontece sempre. Como já referi, o pessoal de estrada, por norma gostam de andar bem equipados, com bicicletas feitas à medida e bem caras. Com o meu “chaço” emprestado, tinha como estratégia seguir na roda dos prós e tentar aguentar o ritmo, até sair as peças do meu motor.
   O calor neste dia, foi um dos grandes condicionantes e que muito dificultou esta aventura, chegando aos 37 graus, imaginem na estrada…. As paragens foram sempre muito curtas e serviam apenas para encher bidons. Sempre que haviam acelerações no grupo, as pernas iam ficando cada vez mais duras, pois os andamentos são sempre feitos com mudanças pesadas e sempre à base de força e nunca em rpm.
    Quanto mais perto estávamos da cidade de Mondim, maior era a confusão de pessoas e bicicletas, ora a rolar, bem como em cima dos tejadilhos. A esta hora já se viam centenas de pessoas nas bermas.
     Pelo que sabia, do centro da cidade- junto aos Bombeiros, até ao ponto mais alto- Igreja da Srª da Graça, distava 13 km e era para subir, pois não tinha elevador.
    A subida foi bastante mais dura do que na realidade estava à espera, pois a mais leve mudança na bicicleta que levei era muito pesada para meu gosto. Se juntar a tudo isto, o calor, inclinação e os 80 e tal km que já levava nas pernas, facilmente se percebe as 170 pulsações que atingi e o homem do martelo rolava bem pertinho da minha roda traseira…lol…

03 Agosto 2013 – 7ª Etapa Circuito NGPS – Viana do Castelo

     Esta etapa coincidia com dia de Piquete e só à última da hora e a muito custo, lá consegui uma alma carinhosa para fazer uma troca, para assim poder participar em mais uma etapa do circuito, que eu tanto me identifico. 
     Desta feita, contava apenas com a companhia do Bruno, que nos últimos tempos e fruto de muito trabalho e determinação, tem evoluído de uma forma notória. Os outros Ecobikes soube já depois do fecho desta redação, que se encontravam no Campeonato Indoor ao Congro…lol…
     Depois de uma viagem tranquila até à Cidade de Viana do Castelo, estava na hora de carimbar o passaporte oficial do evento, onde constam as etapas e os carimbos das etapas que conseguimos participar e levantar o dorsal.
     Como não existe partida oficial, pelas 08H30 começamos a nossa aventura e logo com uma bela subida, para aquecer as pernas, até ao Santuário de Santa Luzia, brindados com uma vista magnífica sobre a cidade de Viana do Castelo. De seguida foi um “romper de pernas” constante, pelo sobe e desce constante, bem como pela pedra e piso muito duro, que causava mossa no meu pescocinho…lol..
     Aos 15 kms apareceu o Laranjeira que vinha integrado num grupo e a bufar, para chegar junto de nós, tendo de imediato integrado o nosso grupo e assim seguido até ao fim.
   Contudo perto do km 27 senti o pneu traseiro a bazar e não obstante ser em tubeless, não tinha aguentado tanta pancada, chegando a furar. Lembrei logo os problemas mecânicos que tinha tido o ano passado também nesta etapa, onde estive muito perto de desistir. Decidi meter a espuma especial que

13 Julho 2013 - 6ª Etapa Circuito NGPS – Alvorada no Marão

      Subir ao Marão já é sinónimo de dor nas pernas, mas de noite???? Ui….que medoooo 
      O ano passado ainda consegui enganar o Márito, para me acompanhar, mas pelos vistos ainda está com frio desde essa etapa. Assim, uma vez mais aceitei o convite do Jorge e do Bruno para rumarmos até à Régua, local onde estava montado todo o staff.
     Aqui chegados e tendo em conta que havia festança e da grande no centro da Régua, eram milhares de pessoas que ali se divertiam e nós íamos pedalar, que tolos…..
      Já estávamos atrasados para o início da etapa, que estava marcada para as 23H00, contudo ainda tínhamos que nos “aperaltar” para uma etapa dura, longa e fria. Nas etapas noturnas tudo fica mais brilhante, com uma azáfama de luzes dianteiras, piscas-piscas traseiras e ainda mais um balão oferecido pela organização que também piscava, parecíamos uns pirilampos no escuro…
       A rolar em bom ritmo, facilmente começamos a ultrapassar o pessoal que ia com mais calma, pois a partir do km 18 era sempre a subir até ao km 38, que coincidia com as antenas do Marão, a 1416 m altitude. As “picadas” que apareciam eram autênticas paredes com inclinações brutais, que levavam as pernas a aquecer de tal maneira que piscava o botão vermelho de sobreaquecimento do motor…lol…
     A determinada altura o caminho só indicava um sentido… que era sempre a subir, tornando-se desnecessário olhar para o GPS.
      Tendo em conta que as pernas estavam com força, decidi impor um ritmo mais forte, de forma a testar um pouco a minha capacidade física e ver até onde aguentava o andamento forte. Aos poucos distanciei-me do pessoal e consegui ainda ultrapassar outros que estavam bem à minha frente.         Subi tanto, tanto,

15 Junho 2013 - EOX240 – Vila Verde de Ficalho- Zambujeira do Mar

     Para este ano, tinha lançado ao pessoal para desafio anual – o EOX240, uma prova que decorre entre as cidades de Vila Verde e Ficalho e Zambujeira do Mar, na extensão de 240 km. Devido às dificuldades físicas que seriam previsíveis, apenas consegui convencer o Ricardo para fazer equipa comigo, à qual lhe chamamos o nome sugestivo de “Os Fraquinhos”, quiçá adequada às nossas pessoas…lol… 
     Estava a treinar bem, e sentia-me forte e confiante para realizar esta prova sem grandes dificuldades e sofrimento, pelo menos assim pensava.
Contudo a uma semana do evento, o meu pai faleceu, que me deixou vários dias transtornado e completamente em baixo. Eu sabia o preço que poderia pagar caso continuasse com a ideia de participar no EOX, já que não me sentia bem, quer emocional, como fisicamente, mas também por outro lado não podia abandonar o Ricardo, e este ficar sem equipa. Decidi então arriscar, com outra motivação e vontade, pelo meu enorme Pai, que anseio que esteja num lugar bem melhor, pelos meus amigos, minha família e pelo apoio que a minha mulher me deu, pois conseguiu compreender a importância de tudo isto na minha vida.
     Para esta viagem ainda tive a companhia do Jorge Almeida e do Nuno, que este ano esperava concluir o desafio.
     A viagem para o Alentejo decorreu na 6ª feira, onde supostamente tudo estava preparado para seguirmos viagem… exceto as barras, pois claro, que se tornaram uma difícil solução, malditos parafusos pá….
    Só pelas 11h30 é que conseguimos resolver este problema, e finalmente sair da casa do Ricardo com as quatro bicicletas no tejadilho e a mala carregadinha, até à rolha. Devido ao atraso, só fizemos uma paragem para almoçar na Estação de Serviço do Pombal, onde todos “manjaram“ massinha trazida de casa, para carregar o organismo de hidratos.
     Chegamos ao Parque do Carvalhal perto das 17H30, onde já se encontravam várias caras conhecidas, entre elas o João Marinho. Devido ao atraso de alguns atletas, só pelas 17H50 é que saímos da Praia do Carvalhal, no tranfer, que nos levaria ao início da prova, com as bicicletas umas meias desmontadas, outras completamente acondicionadas em malas próprias, coisas de pró e de quem viaja muito com certeza. A viagem foi terrível e no caminho passamos em Beja pelo Hotel que à dois anos tinhamos ficado hospedado para o SRP 160.
      Já eram 20H45 quando finalmente chegamos ao local onde supostamente iríamos pernoitar, ou seja, um pequeno jardim com relva fofinha. Mas eis que quando já estávamos a estender âncora, fomos informados que não poderíamos ali pernoitar, mas sim num ringue de futebol, a cerca de 500 metros dali, onde estava montado todo o staff da prova. O grande senão é que o chão era em terra dura com pedra, logo nada confortável, fiquei logo algo arreliado, mas enfim…
      Depois de tudo montado, fomos levantar os nossos dorsais. E literalmente foi mesmo só isso, um dorsal e duas fitas para prender à bicicleta, imaginam que tivemos logo dificuldades em guardar tantas ofertas…lol…
     De seguida preparamos as bikes, para não perder muito tempo na madrugada seguinte e fomos logo de seguida jantar. Aqui pelo preço já acordado (12€) não foi nada extraordinário, comemos massa, carnes grelhadas, sumo, água, sopa, salada fruta e café.
     De regresso ao acampamento e ao passarmos por uma coletividade tipicamente alentejana, ainda deu para ouvir e sentir os imponentes cantares Alentejanos, já que ali se encontravam a treinar.
      Antes de dormir, ou pelo menos tentar, ainda tínhamos de preparar cuidadosamente o que queríamos que a organização transportasse para a 2ª e 3ª zona de abastecimento.
      Não obstante o calor que se fazia sentir naquela região, a noite estava fria, onde só aquecia com o rosnar do ricardo, que parecia já estar a aquecer o motor para a prova.
      A constante chegada durante a madrugada dos atletas junto do staff ainda dificultou mais as coisas, dureza máxima, e poder dormir descansado não ?????? ….
       O galo como estávamos à espera, e porque não o consegui silenciar, às 04H30 já estava a cantar. O calor aqui estava esquisito…lol…e o Nuno ainda foi tomar o pequeno-almoço de cobertor às costas.
       Pois bem, o nervoso miudinho sentia-se no ar, com a azáfama normal neste tipo de provas, pois nada podia falhar nem ser esquecido, sob pena de se pagar muito caro estes erros à posterior.
      Um pouco antes das 06H00 já estávamos na linha de partida, local onde tudo iria iniciar. Aqui ainda estivemos com o Couto, Kiko e José Carlos que também tinham aceite este louco desafio.
3….2….1….0…e lá partimos às 06H00, tranquilos e sem grande stress.       
       O percurso inicial era algo sinuoso e arenoso, com pedra solta e alguns regos, que obrigavam a redobrar os cuidados. Logo no início o João Marinho que fazia equipa com o Leite ficaram para trás, pois o João furou logo a começar a prova, azares de uns, sorte de outros.
       Chegamos ao 1º posto abastecimento (54Km- Serpa) perto das 08H50, onde aproveitei para encher os depósitos de água e comer algo, aqui ainda me sentia bem…
       Quando já íamos a sair, apareceu o Jorge com o Nuno e ainda aproveitei para lhes chegar comida e bebida, para não perderem muito tempo, tendo logo de seguida arrancado.
Sensivelmente ao km 80 voltamos a ser alcançados por eles, e aí logo vi que de certeza que estava em quebra física. Rolamos os quatro até a uma aldeia onde aproveitamos para fazer uma paragem nos correios e mercearia para abastecer de água, pois os 35 graus apertavam e muito. Logo a seguir, perto dos km 90, o Jorge que se sentia bem, decidiu arrancar e rolamos em trio até ao fim.
        Contudo ao km 100, quando o vento de frente já se fazia sentir, e sem grande justificação, rebentei. A pulsação estava a rondar os 125/130, mas as pernas deixaram de funcionar. Uma pequena elevação, transformava-se numa parede difícil de transpor. Foi uma frustração enorme não conseguir sequer rolar devagar e acompanhar o Ricardo e o Nuno, que constantemente tinham de aguardar por mim. Nesta altura tudo passa pela cabeça e o risco que tinha decidido assumir, estava prestes a tornar-se em pesadelo.  
        Aqui o Ricardo, que bem me conhece, decidiu vir até junto de mim e literalmente rebocar-me até ao abastecimento, que ainda estava a cerca de 10 km. Eu sabia que tinha de sofrer até lá, e, sofri mesmo, tendo a noção que se assim continuasse só me restava abandonar a prova. Esperava então um milagre, para trazer força às pernas e motivação para continuar esta aventura louca.
        Aproveitei este abastecimento, mais morto que vivo, para esticar as pernas e encher a barriga ao máximo. Então sentei-me e agarrei-me às batatas fritas, coca-cola, bananas, laranjas, recuperador, melancia e ainda um comprimido com 200 mg de cafeína e taurina, enfim tudo… que viesse em meu auxílio…que desespero…lol…
        O calor continuava a fazer mossa e tinha mais 50 km pela frente até ao 3º posto. Milagrosamente o corpo ganhou “nova vida”, e as pernas começaram novamente a trabalhar, continuando contudo a ser protegido pelo Ricardo. Percorri esta distância a ver a roda traseira dele, que de tão colado que ia, ainda experimentei o feno para fazer uma rica aterragem … lol…
       Assim chegamos ao 3º Posto (170km) - Aldeia de Amoreira. Aqui além do abastecimento ainda tínhamos que colocar as luzes nas bikes, pois a noite estava muito perto. Sabíamos que íamos entrar numa das zonas mais complicadas do percurso, pois tinha duas picadas bem boas, que foram feitas à mão, de forma a poupar alguma energia, se é que isso era possível… Tínhamos de cumprir mais 30 km até ao próximo abastecimento, para mim das zonas mais bonitas de toda a prova, onde aproveitamos para parar num tasco para o Ricardo beber uma cerveja, confraternizar mais um pouco com o simpático povo Alentejano, que nos cumprimentava à nossa passagem, e ainda para tirar umas bonitas fotos para mais tarde recordar.
       Aos poucos o calor foi-se dissipando, dando agora lugar ao frio, e a noite já era uma realidade. Vai daí, ligamos as luzes e seguimos viagem agora em bom ritmo, efetuando apenas pequenas paragens para mandar embora as cabras que por vezes se agarravam às pernas do Nuno, coisa normal.
        Surgiu então outra contrariedade, ou seja, além das luzes do Nuno terem funcionado durante poucos quilómetros, também as minhas tinham-se desligado…boa…contávamos apenas com as luzes do Ricardo para alumiar o monte para nós os três … bem bom…lol..
         Depois de ultrapassada a última subida, sabíamos pelo gráfico que era sempre a rolar e a descer até à meta. Como a luz era pouca e a velocidade começava a ser muita, já que a adrenalina corria em bom ritmo nas veias, por vezes tínhamos que travar a fundo, quando os buracos metiam-se na frente das nossas bicicletas, de forma a não voarmos….
       Faltavam 12 km para tudo terminar, o piso convidava e nós pimba, mete carga…começamos então a fazer contagem decrescente…10,9,8,7,6,5,4,3,2,1…até aos 400 metros finais…em que o Nuno decide meter a roda da frente num buraco, e dar uma cambalhota no ar, com encarpado sem mãos com chegada ao solo a rastejar. Os berros foram tantos de dor, que pensei que tinha partido algo. Ficamos super preocupados, pois de imediato entrou em pânico e com sinais de hipotermia. Foram longos minutos de muita preocupação, pois realmente o joelho e ombro estavam uma lástima, isto para ser simpático. Aqui aproveitei a experiencia profissional para conseguir trazer o Nuno até ao planeta terra…lol…(agora já dá para brincar)… com este tempo todo vai que a luz do Ricardo também se desliga e então as coisas ficam escuras. 
     A nossa sorte, foi que surgiu uma alma carinhosa, que nos alumiou o caminho até à meta. Conseguimos assim terminar os 240 km em 17H45m, chegando às 22H45. Claro que estávamos felizes, mas tendo em conta o estado físico do Nuno, nem deu para comemorar como merecíamos.
    A organização, tenho em conta o estado grave que o mesmo se encontrava transportou-o para o centro saúde de Odemira, onde posteriormente lhe foi diagnosticado uma rotura de ligamentos no joelho e queimaduras de 3º grau no ombro, que medoooooo .
     Sem dúvida que foi a prova mais longa que participei, aliás é a mais longa em Portugal – 240km, e também a que mais sofri. Foram longas 17H45m de prova, de boas/más sensações; sofrimento/alegria; confirmação positiva e negativa de atitudes; frio/calor; superação de objetivos; passamos por paisagens extraordinárias, com vistas infinitas de campos.
       Um muito obrigado aos meus amigos de viagem e em especial ao Ricardo, que abdicou do seu andamento, para me trazer na sua roda e tornar possível a minha chegada ao fim da prova.

       Por curiosidade, quando me encontrava no hotel a ver as fotos na máquina, adormeci, acordando de manhã, com a mesma em cima dos cobertores….que mocaaaaaa….lol…    
"O futuro de nós dirá"....