20/10/2012 - 24 Horas Cycle FFitness


      O desafio foi novamente lançado pelo FFitness, para mais uma aventura de "24 horas de cycle". Depois da vitória "estrondosa" do ano passado e tendo em conta que éramos os campeões em título, tinha de arranjar uma equipa fortíssima para fazer o bi....lol...Este ano o conceito era um pouco diferente, pois a totalidade do dinheiro arrecadado proveniente das inscrições, revertia na totalidade para a APPACDM - Associação Portuguesa Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental.
      Contudo, tinha de constituir uma equipa mais forte e gorda...lol...para fazer boa figura.  
   Depois de uma rigorosa selecção, que consistiram em complicados teste psicotécnicos e físicos, eis que foram bafejados pela sorte a fazerem parte da Equipa "Ecobike e Compª", os super-atletas: Tojo(eu), Mário Almeida, Ricardo, André, Jorge Almeida e Nuno, que medoooooooo. No seio da Equipa Ecobike, conseguiu-se no meio de tanta "mancaria", desencaminhar e juntar pessoal para formarem mais uma equipa e dar uma perninha numa 3ª, nada mau.
      Para facilitar as "contas" cada um de nós pedalou 4 horas, divididas em dois períodos de 2 horas, por isso nada de muito pesado para o pessoal habituado a longas "coças" no monte.
       Estava assim tudo animado e preparado para passar mais umas 24 horas a bombar de: emoção, boa música, divertimento, palhaçadas, esforço, dedicação, suor, sono, mto sono, bolos, fruta, comidinha boa e menos boa...lol...., etc, mas todos com o mesmo propósito, poder com este gesto e com o seu pequeno contributo ajudar a APPACDM, na sua nobre causa.
     

14/10/2012 - 7ª Etapa Circuito NGPS - Trilhos de Stª Luzia


...a saga continua, para os lados de Viana do Castelo. Para hoje estava marcada a 7ª Etapa do Circuito NGPS, que tenho  religiosamente seguido, com enorme prazer, face à filosofia que pauta este Circuito.         
      Esta etapa era composta por 2 percursos: Grande Empeno ( 90 Km) e o Empeninho (50Km). Como tem sido hábito, decidi pelo Grande Empeno, para poder aproveitar na sua plenitude todo o percurso e trabalho desenvolvido na escolha dos melhores trilhos da zona, um cuidado sempre latente em cada etapa do Circuito NGPS.         Sendo assim iria percorrer a Serra de Sta Lúzia e a Serra de Arga, como pontos altos, mas com passagens registadas na máquina fotográfica que sempre me acompanha nestas andanças por: Vista do Vale de Cima; Templo de Stª Luzia; Passagem do Rio Ancora; Vista a partir do Cerquido; Ribeiro na Serra de Arga; Recanto na Serra de Arga; Singletrack serpenteante da Fraga de Perre; Serra de Stª Luzia e Srª das Neves, entre outros.
   Levantar às 06H00 continua a ser de malucos, principalmente quando chove e as previsões não eram nada animadoras para a altura da prova.
     Mas com aquela vontade, que já me conhecem, juntei-me nesta aventura ao Leandro e Coelho, para fazer os 90 Km e ao J. Almeida, Nuno, Paulo, Quelhas e o Luís que iriam participar nos 50 Km.
     Chegamos a Viana bem antes do início marcado para a partida (08H30), dando ainda tempo para o Leandro ir tomar um café, pois diz que não consegue pedalar, sem o estímulo da cafeína...lol..
      Na partida estava um "Monstro do BTT", um dos melhores atletas do mundo de XCM, nada mais que Luís Leão Pinto, e, atenção que este Sr. é Português, tendo sido recentemente o vencedor de uma das provas mais duras do Mundo - Brasil Ride.

03 Out 2012 - Serra da Aboboreira (o regresso)


     O pessoal estava com vontade de ir até ao monte, mas ainda não estava decido o local para o "empeno". Desta feita e por sugestão minha, fomos até à Serra da Aboboreira  Como sabem participei no DBR2012 e foi nesta etapa onde mais me diverti, não obstante as contrariedades que tive de superar, conforme relatado no blog. 
    Para este desafio juntei os meus amigos da Ecobike, sua alteza (J.Almeida), Monteiro e o Leandro, para poderem saborear um pouco daqueles trilhos.
     Pois bem, como sempre, saímos à hora combinada até Amarante, onde ainda deu para tomar o pequeno-almoço já muito perto da meta.
      Foi recompensador e emocionante voltar ao "local do crime", onde me veio à memória cada tenda existente no decorrer do DBR.
Depois das barriguinhas cheias partimos para o monte, pois foi para isso que cá viemos. 
Um dos motivos de interesse, neste regresso, foi ainda em Amarante, quando nos cruzamos com um grupo de 3 colegas do pedal, vindos de Lisboa, com o propósito de fazerem a totalidade do DBR, vindo ao encontro do que costumo dizer,que este evento não terminou no dia 16 Setembro, pois aposto que as 3 Serras míticas do DBR continuam a serem percorridas por muita gente amante desta modalidade, vinda de todos os cantos do país, e isso é uma das maiores conquistas desta organização. Logo ao início o Monteiro de tanto treinar na Serra de Valongo, afiou de tal maneira o disco traseiro  que até o partiu, ficando para a história mais um feito incrível e que nunca tinha presenciado. O disco mais parecia uma pedaleira de 4 pratos, que infelizmente fez acabar mais cedo a aventura para ele.

DBR 2012 - 4º Dia - Serra da Aboboreira


....mais uma noite a dormir na minha tenda "fim-do-mundo". Desta vez estive tão quente dentro do saco-cama do Coelho que mais parecia dentro de um panelão, ou 8 ou 80...lol..... A Alvorada foi novamente às 06h15, mas acordei cheio de moral e confiança, tendo em conta a etapa de hoje. Estava reservada a Serra da Ababoreira, para efetuar 51 Km com 1600+ acumulado, nada que assustasse depois do que já tinha passado e sofrido. Seria assim a etapa da consagração.
      Na partida de hoje estavam juntos os 3 grupos do DBR: o Epic (225 atletas), o Adventure (187 atletas) e o Ride (202 atletas), onde partimos numa bonita moldura mais de 600 atletas. 
      O tempo esteva muito mais fresco, não se sentindo durante a etapa aquele "bafo" de ar quente, que de imediato necessitávamos de oxigénio...lol...
     Assim parti cheio de força, a rolar bem mais forte que nas etapas anteriores, pois não tinha nada a poupar, até àquela que estava marcada no gráfico como a principal subida e dificuldade do dia, situada entre o km 25 e 35.
     Estava a ser um dia em pleno, onde até nas quedas, dava espetáculo. Ou seja, numa curva a descer, bastante técnica, o pneu da frente ficou enterrado na terra que estava bastante solta, então vai daí saio disparado monte abaixo. Aí pensei, a esta velocidade lá vai a clavícula. Solução: dou uma grande cambalhota e fico logo de pé...que filme...lol...foi risada geral do público....não me peçam é para fazer outra igual...lol... Como estava a arriscar muito a descer, é normal as quedas também aparecerem, mas o trilho estava fantástico, para tirar mãos dos travões e curtir os single-tracks a grande velocidade e com o cabelo ao ar.
      Vai daí a apenas 4/5 Km do fim, começo a sentir a corrente a enrolar toda, não conseguindo sequer pedalar. Olhei para ela, ela olhou para mim e disse, já chega, não ando mais. Mais parecia um cobra, toda enrolada e torcida em vários pontos.      
     Como é possível isto acontecer-me mesmo a cheirar a meta? Mas foi, a cabeça bloqueou e a solução que encontrei foi sair da bicicleta e empurrar à mão nas subidas e retas e nas descidas apanhar balanço e tentar descer o mais rápido possível, isto durante 1 km. Comecei a ser ultrapassado por vários atletas, e foi aí que pensei que seria melhor tentar arranjar uma solução para mais esta contrariedade. Pois bem...azar..., quando ia a tirar a minha bolsa de ferramentas que carregava no selim, as mesmas tinham desaparecido, ora bolas, agora é que estava feito, não tinha nadinha de nada.
    Volvidos alguns minutos apareceu um atleta que se prontificou em ajudar, mas quando olhou para a corrente disse" ui como isto está, não tem solução, não vais conseguir acabar". Nem vale a pensa dizer o que me passou pela cabeça neste momento. Com muito esforço, metemos mais um elo rápido, depois de a muito custo a ter conseguido tirar da pedaleira, pois ficou lá presa. Mas mesmo assim estava torcida em vários sítios, onde a única solução era pedalar muito devagar, sem meter grande força, de forma a arrastar até à meta. Foi isso que fiz, com demasiada calma para meu gosto, que mais parecia um passeio à beira mar num domingo à tarde. Lá consegui terminar esta etapa e o DBR, triste por mais este azar, mas feliz por ter conseguido ser um FINISHER.
      Durante o percurso como pontos mais atractivos tivemos os monumentos Megalíticos, as Aldeias de Montanha, a ponte sobre o Rio Ovelha e os Singletracks longos, técnicos e cheios de adrenalina, que proporcionaram grandes descidas, e quedas também...lol...
Percorri assim os 51,5 Km com o tempo de 3H41m, com 1700+ acumulado, com mais um atraso de 30 minutos agarrado à corrente. No final ficou a história as 20H43m a pedalar nos 4 dias, em que consegui ficar no lugar 118º de entre os 155 que conseguiram concluir com sucesso o DBR. Uma palavra ainda para os cerca de 69 atletas que não conseguiram concluir, mas que de certeza para o ano estarão lá, para se vingarem...lol...Depois de um breve descanso, estava na hora do banhinho, guardar e desmontar a tenda que veio toda enrolada, pois ninguém conseguia meter uma coisa tão grande, num saquinho tão pequeno, ainda deu pra rir.
       Claro que o momento alto do dia, foi a entrega de prémios aos vencedores de cada categoria, que sem dúvida têm andamentos do "outro mundo".
Classificações Gerais: Nos elites masculinos ganhou de uma forma categórica Rui Guimarães, 2º Alejandro de la Pena e 3º José Rodrigues; em Open Women a grande vencedora foi a Campeã Espanhola de maratonas - Sandra Santanyes, 2º Celina Carpinteiro e 3º Ana Gonçalves; em Master Men- 1º Arlindo Gaspar, 2º Paelinck Peter e 3º António Catarino; em Seniors Men,- 1º Carlos Cabrita, 2º Eduardo Simal e 3º Abílio Moreira.
    Pois bem, não ganhei nenhuma Competição Olímpica, ou Campeonato do Mundo, nem mesmo de Portugal, mas ganhei o desafio, pela qual muito lutei, sofri com o calor, com as contrariedades, com os muitos quilómetros percorridos, o muito acumulado, o pouco sono, mas no fim a alegria por ter conseguido ser um dos privilegiados de ser um dos FINISHER no DBR2012. Esta medalha foi entregue pelo João Marinho, figura mais visível do DBR e que tem atrás de si uma equipa extraordinária de pessoas. Foi um momento muito significativo para mim e estava assim saudada a minha luta ao longo dos últimos 4 dias.
      Obrigado a todo o Staff do DBR, que estiveram sempre em alto nível, com uma prontidão e amor ao que faziam. Eles e nós, tornamos o DBR um sucesso, cimentando a posição que esta prova ocupa em termos nacionais e internacionais, conforme comprova os 100 estrangeiros presentes este ano.
      Uma palavra de amizade e agradecimento aos meus amigos e família, que ao longo dos dias, tiveram um bocadinho do seu tempo, para me deixar mensagens de coragem e força, e que eu lia e relia de noite deitado na minha tenda...obrigado..

Video da etapa 4 - Serra da Aboboreira:



o desfio está lançado para o DBR 2013....Are You Ready??????

DBR 2012 - 3º dia - Serra Alvão...empurra, empurra, empurra


...a noite já correu melhor, graças ao cobertor do vizinho, pese embora continuar a acordar dezenas de vezes.Uma vez mais a alvorada foi pelas 06H15, para os habituais afazeres matinais e os compromissos com o estudo que estava a colaborar. A etapa de hoje ia até ao Alvao, para cumprir a distância de 93 Km com um acumulado de 3100+.  As pernas estavam algo cansadas, mas pareciam estar minimamente preparadas para aguentar mais uma etapa dura. Claro que o problema da corrente estava sempre na minha mente, onde constantemente rezava para que não me deixasse ficar mal no dia de hoje.
     Assim, optei por circular de uma forma tranquila, sem forçar muito os andamentos. Pessoalmente gosto deste tipo de etapas, pois haviam um constante sobe e desce, muitas vezes apelidado de "rebenta pernas".
      Ao km 33 fiquei sem GPS, já com 1250+ de altimetria, o que me desagradou bastante, pois fiquei sem referencias nenhumas, e numa etapa tão longa, complica muito. Relativo ao percurso nunca tive problemas em seguir as fitas (marcações), já que todo ele estava sobejamente bem marcado, tendo sido este o sentimento geral de todos os atletas durante a totalidade das etapas.
     Para a Serra do Alvão, estavam marcadas várias passagens nos famosos "Rock Gardens" naturais. Muito técnicos, concentração e um pouco de loucura, para descer sempre montado em cima das máquinas, nestas autênticas descidas acentuadas de pedra, muita pedra. A descer continuo com muita confiança e grande parte dela aguentei-me bem, até que, para contar a história saboreei a dureza das suas pedras...lol...nada de grave, foi montar e seguir em frente.
       Claro que também passava sobre o Parque Natural do Alvão, com paisagens de cortar a respiração. Aqui, ao levantar a cabeça, (conforme ia tendo forças...lol...), ficava com vontade de parar de pedalar e ficar ali sentadinho horas a fio, a "navegar" sobre cada subida e descida, mas apenas com os olhos, aproveitando o silêncio e o retiro espiritual que este local nos oferece.
      Outro momento alto foi a Ponte de Arame sobre o Rio Olo. Neste local ia na roda de um outro atleta, quando se me deparo com a ponte. Digo-vos uma coisa, é linda, onde o primeiro sentimento que tive foi de parar e percorrê-la calmamente dizendo "pareço o Indiana Jones"...brutal esta ponte...tal como as fotos que foram lá tiradas.
       Claro que esperava ansiosamente chegar à queda de água das Fisgas de Ermelo, um local já muito conhecido por mim, mas que é sempre um prazer poder ver essa obra da natureza, que recentemente concorreu às 7 Maravilhas de Portugal entre as praias selvagens. Aqui tive muita inveja de ver várias pessoas a banharem-se naquela água fresca e límpida e eu a arder de calor...lol...
      Faltava o Monte Farinha ou Srª da Graça, local sempre bonito pelo menos de ver ao longe...lol...pois de perto, custa.....
     A grande diferença que senti para a Etapa do Marão, é que hoje as subidas eram penosamente efectuadas, muitas vezes a empurrar a "La Bella", graças às inclinações muito acentuadas. Demorei 08H19 a dar por término esta dura e sofredora etapa.
      Na reta da meta estavam o Leandro e o Coelho, juntamente com as suas companheiras, que gentilmente se deslocaram a Amarante para me dar um força e levar um saco cama para ver se eu dormia mais quente, pelo menos. Foi muito agradável estar com estes amigos sendo de louvar e registar este comportamento. Claro que aproveitei para lhes mostrar os principais locais da "Aldeia DBR", tal como a "minha tenda" e o Bike Park, para se poderem deliciar com as "máquinas". 
    Posteriormente o Paulo Lopes que reside em Amarante, também fez questão de ir dar um abraço e conversar um pouco, ao qual também agradeço muito.
     Depois destas surpresas sempre agradáveis, fui descansar um pouco, para logo de seguida fazer as rotinas normais, que tinham de ser sempre feitas.
     Estava na hora de mais um jantar para tentar recuperar ao máximo o peso e líquidos perdidos durante a etapa, onde segundo o Prof., um atleta nunca deve perder mais de 3 a 4% do seu peso numa etapa, sendo de extrema importância conseguir posteriormente recuperar ao máximo esse peso perdido.
     Claro que o momento alto, uma vez mais estava sempre marcado para mais uma sessão de fotos e vídeo extraordinárias, referentes ao dia de hoje. Era notório o aumento de pessoas na "aldeia", já que amanhã entravam em acção o pessoal do Ride e eram mais 202 atletas.
      A noite de certeza que ia correr melhor, em parte porque o pior estava feito e garças ao saco-cama do Coelho...lol...

video do 3º dia- Serra do Alvão:

DBR 2012 - 2º dia - Serra do Marão....sofrer, sofrer, sol, sofrer


..... a noite foi terrível, não consegui descansar nadica de nada, muito devido ao frio. A alvorada, estava marcada para as 06H15, pois ainda tinha de tomar o pequeno-almoço, equipar e preparar tudo para mais uma etapa e nada podia ser esquecido. 
    Dei continuidade ao estudo que já tinha anterior  ente participado na Universidade do Porto, onde diariamente quando acordava tinha de me pesar, de urinar para o copo, para ver o nível de hidratação que tinha e ainda descrever o mais minucioso possível o que tinha comido e bebido desde o término da etapa até àquele momento. No final voltava a fazer este processo, para apurar as diferenças e dar seguimento ao estudo.
      Pois bem, para hoje tínhamos o 2º dia- Etapa do Marão, que tinha uma extensão de 95Km, com um acumulado de 3020+. Isto só por si já parecia doloroso, mas ainda tínhamos para agravar mais a etapa o imenso calor que já se fazia sentir.
   Na meta, os atletas estavam dispostos conforme a classificação ob tida no dia anterior- prólogo, de forma a ser mais justo. O início estava sempre marcado para as 08H00, conforme o regulamento.
    Não obstante não ter descansado nada de jeito, parti confiante para esta etapa. Aproveitei o andamento bom de um grupo de atletas, para seguir com os mesmos. Contudo logo a seguir ao 1º abastecimento (Km 24), numa "picada" forcei a entrada de velocidade e a corrente encravou, meti ainda mais força e eis que acabei por a partir. Tinha um elo rápido, mas mesmo assim tive necessidade de pedir ajuda a um colega, mas com o stress as coisas não ficaram nada bem postas, e, eis que quando voltei a subir para a bicicleta e a meter força no pedal, ela voltou a partir e aí foi o desespero total. Já não tinha mais elos rápidos e já tinha perdido mais de 20 minutos nesta brincadeira e acima de tudo a pica e a confiança com que vinha a rolar até ao 1º abastecimento. Neste momento acreditem que me vieram muitas coisas à cabeça. 
      Depois de pedir ajuda a vários atletas, lá consegui arranjar um que tinha um elo de engate para corrente 10v e novamente com ajuda, as coisas desta feita ficaram bem e lá segui caminho, já muito atrás e sempre cheio de medo de voltar a ficar em terra. A cabeça aqui já não funcionava muito bem, e era apenas o espírito de sacrifício e dor, que me fazia seguir em frente. Então, marquei um novo objetivo: chegar ao próximo abastecimento e daí sucessivamente até à meta. Nestas paragens aproveitava sempre para encher o bidon, comer bem (melancia, laranja, melão, gomas, madalenas, bolachas, etc) e beber bastantes líquidos (coca-cola, água, bebida isotónica, powerwade) o máximo possível, pois a etapa estava a ser muito dolorosa, muito em parte ao calor que chegava perto do 40º. Muitas vezes nem sabia bem o que me doía mais, as pernas ou os braços, pois estes queimavam bem.
    Foram horas e horas a circular a solo, em que por vezes passava outros atletas, outras era ultrapassado, com muitas subidas já saboreadas por mim no "Montain Quest" feito em Janeiro com mais 3 amigos.As subidas no Marão, são intermináveis e mesmo as descidas são duríssimas. Não esqueço a subida de alcatrão com uma inclinação de 31%, ultrapassada com muita garra em "cima dela". 
   Passei pelas famosas aldeias de montanha, com pessoas sempre simpáticas a aplaudir e as sempre estonteantes paisagens sobre o Alto Douro Vinhateiro. Coleccionei no mapa as cidades de Amarante, Baião, Vila Real, Mesão Frio, Santa Marta de Penaguião e Régua.
     A muito sofrer lá consegui terminar esta etapa com o tempo de 7H51m, no total de 95,5 Km, com 3140+ altimetria, tendo gasto 5225 calorias, com a velocidade máxima de 61 Km/h,que medoooooo.
    De salientar que ainda estamos condicionados a ter de passar num ponto intermédio com determinado tempo estipulado, que se for ultrapassado, somos penalizados e temos de seguir por percurso alternativo até à meta.
        No final nas pesagens tinha perdido 1.300g., ficando com 66.2 no total de peso.
Fui de imediato guardar a bicicleta e meter as perninhas na água frio do rio, para recuperar o máximo possível.  
     Depois de descansar e relaxar um pouco, fui buscar a "La Bella" para lavar e lubrificar, que depois do sucedido e segundo a opinião dos mecânicos, não devia mudar a corrente, pois o mais certo é que teria de mudar tudo e ia ficar muito caro. Então decidi arriscar e se fez 70 Km sem partir, a ver vamos...
      Depois de um bom jantar foi altura de assistir ao Breaffing, onde sabe sempre bem assistir às fotos e video do dia, entrega dos prémios aos vencedores nas suas categorias, bem como a descrição da etapa seguinte que seria o Alvão.
      Mal acabou, saí logo a correr para caminha, onde esperava dormir um pouco melhor e mais quente, pois um colega tinha ido buscar um cobertor ao carro, já que as noites continuam terrivelmente frias.

Video do Dia 2 - Etapa do Marão: