05 Outubro 2009 - CAMINHO DE SANTIAGO

1ª Etapa
CHAVES – OURENSE – 106 km


Localidades:
- Chaves, Verin, Oimbra, Monterrei, Laza, Soutelo Verde, Tamicelas, Albergueria, Vilar de Barrio, Bóveda, Vilar de Gomareites, Bobadela, Pardoso, Cima de Vila, Quintela, Xunqueira de Ambia, Taboadela, Outorelo, Piusa, Salgueiros, Gaspar, Veirada, Ousende - Penelas, A Neta, A Castellana, Reboredo, Seixalbo, Ourense.

  Um dia espectacular de sol, com um percurso sem grandes dificuldades, que permitiu muita conversa e andamentos baixos. A concentração para não variar foi em Canidelo - Gaia, pelas 05h30, unicamente para colocar as bikes e sacos na carrinha de apoio e seguir viagem até Chaves. Pelo caminho o Gigantones ainda teve tempo para um dos seus famosos lapsos de orientação e em vez de seguir para Chaves já queria ir para Vila Real, nada que um pouco de condução avançada e marcha-atrás não resolvesse o problema, o Marito e o Ti Mendes é que andaram aos papeis, quase a bater por trás.
   Antes de começarmos o passeio pelas 8h25, ainda houve tempo para o pequeno-almoço e a foto à partida frente à PSP de Chaves.
     Atravessamos a cidade com passagem ao lado da Torre de Menagem do Castelo, Igreja de Santa Maria Maior, Igreja da Misericórdia, Câmara Municipal e Ponte Romana (conhecida também por Ponte de Trajano), seguindo pela ciclovia, junto a margem do Rio Tâmega, onde se sentia um frio de rachar.
 
   Um quilometro à frente passamos o rio para outra margem, continuando por um estradão, sem dificuldades e que serpenteava o rio. Mais a frente chegamos à fronteira, logo seguido da primeira localidade espanhola de Feces de Abaixo, onde passamos pela capela para tocar no sino avisar da nossa passagem.
  
  Neste local o primeiro marco de sinalização indicava a distância para Santiago de 199,35km.

Infelizmente, tenho de salientar que as chapas com indicação dos quilómetros desapareceram da maioria dos marcos...peregrinos ou delinquentes locais? O Trajecto continuou de forma tranquila até Verin, interrompido pela construção de uma auto-estrada, que nos obrigou a pedalar pela futura auto-pista espanhola, que já conhecíamos os desvios para encontrar novamente o caminho de Santiago, visto que tínhamos feito este trajecto na quinta-feira passada.
   Antes de Verin passamos pelo conhecido Molin Rouge, que deve ter uma filial perdida numa estrada nacional no meio do nada. À nossa passagem o barulho que fizemos perturbou o descanso das artistas da noite.
Antes de entrar em Verin, vê-se ao longe o castelo medieval no alto de um monte a dominar a paisagem.

A paragem foi em frente ao albergue do peregrino de Verin, para reparar o 1.º furo do passeio, da bike do Marito e que foi aproveitado para reforço alimentar. Desta vez passamos ao lado do castelo medieval e da sua calçada em pedra, para não gastar energias a fazer quilómetros desnecessários, uma vez que o caminho não seguia por ali, nem por nenhum lado, porque indicações nem vê-las. Só mesmo com ajuda do funcionário do albergue e pedalado com muita atenção no caminho, para não nos perdermos. Optamos por seguir em direcção a Laza em vez de Xinzo de Limia.
Desta forma pela nacional OU1021 e ao fim de meia dúzia de kms voltamos a uma paragem num café para um bocadilho, já que para não variar não havia mais nada para comer. Mas, mais estranho foi que quem quis comer teve de fazer as sandes.
 
Depois de Retorta, onde 4 portistas pousaram formalmente para a foto, abandonamos definitivamente o asfalto em direcção a Matamá. Aí chegados foi tempo de abastecimento de líquidos num fontanário curioso, no centro da praça da aldeia e mais uma ponte antiga sobre o rio Tâmega. Voltamos ao estradão no meio do mato e a subir ligeiramente.

 Antes de entramos em Laza, percorremos mais umas centenas de metros na referida nacional.    Em Laza, fizemos uma visita ao albergue do peregrino e carimbamos as credenciais na protecção civil, que nos aconselharam a seguir por estrada até a localidade de Alberguería,   uma vez que este trajecto se encontrava impraticável para bikes.

No entanto, antes de seguirmos viagem foi tempo de almoço (13h00). Como só podia ser bocadilhos (pão de grandes dimensões), que demoraram a ser confeccionados, pelo que aproveitamos para descansar na esplanada.
 A partir de Tamicelas começaram as dificuldades da subida do Monte Talarinõ para Alberguería
, dado que não seguimos as recomendações dadas. Uma subida com muita rocha solta e uma parte quase só de rocha de muito difícil transposição que  obrigou todos a desmontarem por    alguns metros, fazendo lembrar em termos de dureza a Serra de Lagruja, em Ponte de Lima, no Caminho Português de Santiago (por onde já andamos duas vezes), mas com o "nosso" monte a bater aos pontos o espanhol em termos de beleza, devido à sua vegetação e vistas panorâmicas. No topo do monte devido a abertura de corta-fogos o trilho obrigou a mais esforço para percorrer esses metros, devido à terra solta e o consequente enterramento das rodas. Chegados ao asfalto encontramos uma indicação de bar a 500mt, pelo que fizemos um sprint até esse ponto ficando as bebidas a encargo dos perdedores. Infelizmente, o único estabelecimento encontrava-se fechado e os últimos a chegar acabaram por se safar ao pagamento.
O desconsolo foi maior quando verificamos que se tratava do café mais badalado na net neste percurso, o Rincon del Peregrino, em Albergueria, devido a particularidade de se encontrar decorado de conchas assinadas pelos peregrinos.
   De nada valeu tocar ao sino colocado junto da porta e outros barulhos para chamar o dono ou funcionário do mesmo, porque ninguém apareceu. Tivemos de nos contentar com bebidas da máquina plantada à porta cdo bar ou água do poço. O caminho continuou pelo monte a subir ligeiramente, dos 860mt de Alberguería até perto aos 960mt altura junto de uma cruz em madeira. Segue-se uma descida interessante até perto da próxima localidade de Vilar de Barrio, que atravessamos por estrada em direcção as próximas vilas de Bóveda e Vilar de Gomareite, que ficam encostadas umas as outras.
Cerca de 6km chegamos a Bobadela e voltamos aos montes. De Padroso até Cima de Vila, passamos por um single-track de poucos metros mas muito interessante e com vistas panorâmicas, mas convém não fazer as duas coisas ao mesmo tempo, continuando a descer por um estradão até a referida Vila, que fica com uma das melhores descidas do percurso.
Quando chegamos ao ultimo albergue antes de Ourense, em Xunqueira de Ambía, paramos para decidir se ficávamos por ali ou continuávamos o que criou alguns atritos, sendo sujeito a votação pouco democrática, tendo vencido continuar destino como estava inicialmente estabelecido e porque ainda havia lugares no albergue.
  
A parte final do trajecto foi feita quase ao sprint, dado que maior parte era por asfalto e com inclinação favorável até chegar a Ourense cerca das 20h15 espanholas. Só depois de termos feito o registo é que ficamos a saber que as 22h00, tínhamos de estar enclausurados no albergue.

  O resultado foi que, alguns ficaram no seu interior, tomaram banho e conseguiram comer a tempo do recolher obrigatório, partilhando a camarata mista com peregrinos estrangeiros e alguns ciclistas de Guimarães e suportaram os ruídos estranhos da noite. Quanto ao restante grupo depois do banho nos únicos 3 chuveiros disponíveis, para dar utilidade aos 3€ que fomos obrigados a pagar, dado que já tínhamos feito o registo no albergue, quando fomos informados das obrigações. Seguia-se uma das partes mais difíceis do passeio, encontrar um restaurante que nos servisse uma refeição sem ser bocadilhos ou tapas. Depois de uma imensidão de quilómetros no centro da cidade e várias investidas nos estabelecimentos de restauração, o único sítio disponível para comer foi uma pizzaria, onde comemos mal, mas pagamos bem, valendo-nos a clientela, estômago desconsolado mas olhos bem regalados.
    Após as 23h00, seguiu-se a tarefa árdua de encontrar hotel e estacionar as viaturas, que só aconteceu duas horas depois e debaixo de uma chuvada, mas só para os condutores. Até chegar ao hotel, foi necessário mais uns quilómetros a pé, enquanto a família Mendes, apanhou boleia da polícia local, no banco dos criminosos, que por sinal são bem diferentes dos portugueses, em plástico pouco confortável. Além dos hotéis de 4 e 5 estrelas, disponíveis, mas muito fora do orçamento, apenas conseguimos arranjar um hostal com dois quartos vagos para 4 pessoas, onde acabamos por ficar 8, em situação tipo albergue ou pior. Ah! Já me esquecia que não foram 8, mas sim 7, porque o Gigantones, não aguentou o ressonar no seu quarto e foi dormir para a carrinha.
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2º dia:

OURENSE – SILLEDA – 78km

Localidades:
- Ourense, Soutelo, Cudeiro, Sartédigos, Bouzas, Sobreira, Faramontaos, Biduedo, Casanova, Cea, Silvaboa, Pielas, Oseira, Vilarello, Carballedinã, O Outeiro, A Grouxa, Bidueiros, Dozón, Santo Domingo, Puxallos, Pontenoufe, A Xesta, Estación de Lalin, Botos, Fondevila, Donsión, A Laxe, Prado, A Borallo, A Ponte Taboada, Transfontao e Silleda.

  Entre levantar, arranjar as bikes e tomar pequeno-almoço passaram 2horas (07h30 e 09h30 espanholas). Depois do dia de sol espectacular de ontem, hoje, o dia era de nuvens e ameaçar chuviscos.
      À saída da cidade, foi difícil encontrar as indicações, pelo que acabamos por passar na ponte errada, tendo entrado no trilho apenas junto da estação de comboios.
Depois de pedalar alguns quilómetros pela nacional OU0520, chegamos à primeira dificuldade do dia, em Cachaxuas uma "parede" em asfalto de cerca de 1km, entre os 100mt e os 400mt. Segundo consta sua Ex.ª o presidente foi ultrapassado na subida por um caminheiro. No topo da subida uma fonte colocada estrategicamente, que só os mancos a utilizaram, pois não vi nenhum dos caminheiros a parar. Somos muito fraquinhos!!!
    Depois entra-se em estradão em terra que nos leva até a localidade de Ponte de Mandrás, com passagem por uma ponte de estilo medieval, onde fizemos uma breve paragem para fotos e apenas uma bebida, porque à quem goste de chular os peregrinos...

Neste percurso foram várias as árvores de fruto figos, macieiras, pessegueiros, etc., que a cada passo foram atacadas por os ciclistas... Em Cea, paragem para visitar o albergue dos peregrinos, que para variar se encontrava aberto, mas sem ninguém no seu interior. O Vitokorov e o Marito entreteram-se a preencher o livro de presenças, mas carimbo nem vê-lo. No centro da localidade seguiram-se as fotos da torre do relógio.
     Paragem junto do carro de apoio para duas de letra e como se aproximava as 13h00 espanholas, decidimos almoçar todos juntos, onde só foi possível encontrar dois cafés abertos, tendo sido com a ajuda de uma agente da guardia civil que conseguimos almoçar, porque num só podíamos comer após entrar no horário de almoço, faltando ainda 45m e no outro que ficava fora do caminho só a pedido da referida agente.
Lá nos serviram um combinado, que se resumia a uma especie de tortilha e um prato com presunto, chouriço, mortadela e queijo...Um roubo! (11,50 por pessoa).

Entre Cea e Oseira uma avaria na bicicleta do Pedro, com reparação demorada atrasou o passeio, aproveitado pelos da frente para caminhar até o grupo estar completo.
      Neste troço o Gigantones numa travessia de um lago foi atacado por um grupo de vândalos, que o apedrejaram, tendo sujado o seu fato de gala, que o deixou bastante aborrecido, seguindo o resto do caminho sozinho, pois pensava que estava perto do fim da etapa.
No entanto, quando chegou a Oseira, com 29,9 km, verificou que ainda tinha muito caminho a percorrer até Silleda e acabou por esperar pelos restantes junto do Mosteiro Santa Maria La Real de Oseira:

- Convento de Oseira, que mistura na sua arquitectura os estilos românico, barroco e renascentista (mais um edifício encerrado).
Daqui para a frente voltaram as dificuldades e novamente a carregar as binas. No inicio da subida o Xinateiro do Manuel, aproveitou para lavar as partes traseiras, num fontanário. Não sei se devido às dificuldades do terreno, alguns cromos tinham como tema de conversa o dopping, o Sr. armstrong, o Nuno Ribeiro, etc. Depois de tanto tempo a empurrar as biclas, chegamos ao topo e logo a descer em asfalto, que entrou umas centenas de metros à frente num single-track interessante, mas circulável em poucos metros. Vitima Vitokorov ao sair da bike escorregou e caiu sobre as pedras. Nada de grave. Em vilarello paragem para mais água e figos, com o Tó Jó a encontrar uma nova técnica para chegar aos frutos (com pedras). É o que faz ir aos figos com gajos grandes...
    Logo a seguir uma nova subida em estradão, com pedra pequena, que voltou a fazer mossa no grupo, com os da frente a não terem conhecimento da queda do Paulo, que parecia um filme de terror de fraca categoria com sangue a jorrar do tornozelo.

 Com o avançar da hora, o ponto da situação era o Vitokorov, leite e o Costa na cabeça do pelotão à espera que alguém chegasse para dizer o que se passava, o que aconteceu em Santiso, junto do albergue, com a chegada do acidentado Paulo, do Marito e do bombas (Tó Jó). Como os restantes já estavam em Silleda, porque seguiram por estrada e como já eram quase 19h00, foi tempo de aumentar o ritmo, tendo o Marito acompanhado o Paulo pela nacional, uma vez que já não aguentava mais o esforço no pé. Assim, o Vitokorov, bombas, Costa e o JP, seguiram agora a velocidade supersonica, por caminho (estradão) muito arborizado, em terra, com alguns sítios com muita pedra e água, que tornaram o caminho escorregadio, propicio a mais duas quedas, sem grande mazelas a não ser numa maquina e mais uma paragem para a reparar, que foi aproveitada pelo o JP para aliviar a tripa e já que não havia papel teve de lavar as partes baixas no rio Deza.

Antes de chegar a Silleda, fica a localidade de A Ponte Taboada, onde passamos por duas pontes antigas, a primeira foi por baixo, em que não deu para fotos e a segunda uma ponte medieval sobre o referido rio, com uma subida por uma calçada tipo romana. Finalmente lá chegamos ao hotel Ramos, pelas 20h30, onde os restantes já aguardavam no bar do hotel.
A distribuição dos quartos não foi pacífica com o JP a ficar com o Gigantones e a lamentar-se não ter trazido os tampões para os ouvidos. O jantar foi num restaurante Brasileiro, para finalmente esquecermos a comida de nuestros hermanos e fomos no Rodízio, com sete carnes para devorar. A muito custo a carne lá foi chegando e as bebidas também, mas só com ajuda do Tó Jó, que deu uma ajuda ao empregado, com pouca vontade de servir...A meio das carnes fomos surpreendido com a notícia que tinham acabado as carnes, ou seja ficamo-nos pelas 4. Isto para quem as comeu todas. No final foi tempo de negociar o preço que era de 17€ e passou para 15€, sendo certo que afinal a publicidade enganosa resulta, ou seja a bebida à descrição afinal era só a primeira…enfim, mais aldrabões. Durante o jantar o Paulo quis ser o centro das atenções (já que a brasileira não quis fazer um strip), tendo perdido os sentidos e só com duas cervejas...muito fraquinho! Na opinião da enfermeira de serviço a menina Marito, tal deveu-se ao sangue que a vitima foi perdendo em consequência da queda e quiçá devido ao cansaço.
     Assim, no final foi fazer uma visita ao centro de saúde. A noite terminou cedo para alguns já habituados aos horários dos albergues, enquanto outros foram fazer uma caminhada para descomprimir e tomar um digestivo no único bar aberto. Durante a noite alguns ainda pensaram levantar-se mais cedo e seguir até Fiesterra, mas acabaram por perceber que não seria boa ideia, dado que o objectivo era seguirem todos juntos.
Em resumo neste dia 06h25 a pedalar, 03h50 parados, com uma média de 12km/h
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3.º Dia

SILLEDA – SANTIAGO DE COMPOSTELA – 42km
Localidades:
- Silleda, San Fiz, Bandeira, Besteiro, Dornelas, Castro, Puente Ulla, Outeiro, Rubial, Deseiro, Rubial, A Susana, Cañoteira, Vixoi e Santiago.
   Hoje, saímos da cama as 08h30 espanholas, porque o Ti Mendes, tratou de acordar toda a gente, embora nalguns casos foi preciso tira-los da cama. Mais uma vez um pequeno-almoço mal servido. Será que somos nós que não sabemos pedir?
Uma hora depois seguimos viagem, desta vez sem dificuldades em encontrar o caminho correcto. O dia ameaçava chuva, o que veio a suceder mais para a frente. O grupo rapidamente se fragmentou em dois, porque o Vitokorov ainda pensou em ir à missa do peregrino que começava as 12h00, onde seguiu a uma média de 14, dado que os trilhos também ajudavam,
sem grandes dificuldades. Uma vez que o ritmo aumentava as fotos diminuíam e com chuva é quase impossível. Na localidade de Seixo, mais um desvio no caminho, devido à construção de um viaduto, para mais uma auto pista. Os locais para carimbar eram poucos e só a meio do caminho é que alguém se lembrou dos carimbos. Na descida para a Ponte Ulla, em asfalto, finalmente se viu o Marito a libertar-se do medo e a largar os travões, que pela primeira vez ninguém o conseguiu acompanhar numa descida (50mt altitude). No albergue de San Pedro de Vila Nova, o grupo da frente fez uma paragem no momento certo para evitar uma tromba de água, tendo aproveitado para conversarem em inglês com o único peregrino ali presente, um alemão campeão de btt do escalão sénior, que vinha de Sevilha a pé até Santiago e em Dezembro ia voltar a este caminho, mas de bike e na companhia da sua namorada. E como ele disse a pé é em introspecção/fé e em bike é pelo desporto e diversão. Algures na localidade de Rubial, paramos numa casa tipo turismo rural, onde o seu proprietário, reformado da TV (actor de uma série de apanhados) mostrou-nos a simpatia e hospitalidade espanhola, que até então desconhecíamos. Oferecendo-nos fruta, água e lavagem das bikes.

Continuamos e mais à frente nova tromba de água, desta vez como já estávamos perto de Santiago o Tó Jó e JP decidiram continuar, onde a 5km antes de Santiago mais uma paragem para o inevitável bocadilho e cola. Quando se preparavam para seguir caminho foram alcançados pelos atrasados.
À entrada de Santiago  rapidamente verificámos que estávamos perto do destino, com a catedral no meio dos prédios. Antes disso, uma descida por um empedrado em fase de finalização, por trabalhadores portugueses, que se manifestaram à passagem da bike do Manuel, com a sua bandeira nacional. Lá seguiram viagem com o Gigantones a passar para a frente do pelotão, preparando-se para triunfar na etapa, na Catedral, mas na ultima subida faltou-lhe a pedalada ou um danoninho e lá utilizou a táctica do costume para disfarçar "vou lá a atrás ajudar os outros"...pois... pois....
Desta vez, as fotos da praxe foram abreviadas devido à chuva.

Em resumo neste dia foram 02h30 a pedalar, 00h55 parados a uma média de 16km/h.
Mais uma vez não chegamos a tempo da missa do peregrino, que o Vitokorov fazia questão, para agradecer ter chegado são e salvo, entre outras coisas bem mais importantes.
Mas ainda deu tempo para a volta interior à catedral e para alguns foi tempo de introspecção e de fé. Quando já todos "corriam" com destino ao albergue, para tirar a roupa molhada o Vitokorov lembrou-se dos diplomas e lá fomos novamente para a catedral, quer dizer, ao edifício ao lado direito. Para não variar aquela hora havia fila pelas escadas a cima, mas o Marito fazia questão de esperar, para após o banho seguir logo em direcção a Portugal, pois estava
preocupado com o acidentado. Ao fim de uma hora voltamos as bikes para seguir para o Seminário Maior e tomar o merecido banho. Foi preciso deixar alguém de guarda as carrinhas, porque os gatunos são universais e já andavam a rondar.




Por fim, alteração dos planos o almoço/lanche deixou de ser em Santiago e passou a ser em Ponte de Lima, devido aos sucessivos, péssimos e dispendiosas refeições que tivemos. Antes de chegar ao destino o Gigantones, mais uma vez tentou despistar as outras duas viaturas e em vez de seguir para Portugal fez uma manobra evasiva e saiu para Vigo. Pelo Natal acho que lhe devíamos oferecer um gps...

Ponte de Lima, fomos ao "Encanado", onde a sua proprietária afirmou que independentemente da hora, nunca ninguém ficava sem comer. Será? O resultado foi o "bandulho" cheio e bem satisfeito, pela singela quantia de 15€, que em Espanha apenas dava para aperitivos (muita fominha). Antes de voltarmos aos carros com destino a Gaia, o Marito e o lesionado Paulo, pediram para lhes rubricarem as costas dos seus diplomas.

E assim terminou mais uma travessia dos caminhos de Santiago, repleta de histórias, aventuras, desafios, de coisas boas e outras nem por isso, com 225km percorridos por diversas localidades, estradas e trilhos.
BOM CAMINHO

Em 2010 é ano Santo em Compostela, pois o 25 de Julho coincide com um Domingo. A cerimónia começa a 31 de Dezembro com abertura da Porta Santa, que assim ficará durante um ano. Por isso, o próximo ano era o tempo indicado para percorrer o caminho Francês...alguém interessado? Ou melhor, alguém com disponibilidade de tempo, financeira e de pernas...-

ULTREYA E SUSEYA!


5º Torneio Voleibol de Praia ASSP/PSP - 2010

    Decorreu entre os dias 29 Maio e 06 Junho de 2010, o 5º Torneio Voleibol de Praia ASSP/PSP.

     Este ano estiveram inscritas 38 equipas, que se dividiram em 6 grupos, cada um com um “cabeça de série”, tendo em conta as classificações dos anos transactos.
     Acompanhando o crescimento constante por parte da organização, com melhores patrocínios, prémios, número equipas e participantes, o nível exibicional das equipas tem tido a mesma tendência.

     Um torneio que conta com objectivos diferentes entre as equipas presentes, mas todas com o mesmo propósito, ou seja, a competição salutar, o convívio, brincar, rir, cair e levantar, alivio stress provocado pela exigente profissão que desenvolvemos, novas amizades e conhecimentos, tudo isto aliado à pratica de uma actividade física, neste caso o Voleibol.

     A anteceder a competição, nada melhor, que um convívio entre todos os jogadores, com o “porco no espeto”, a servir de mote para um jantar e final de noite bem passada, sabendo que no dia a seguir logo pela manhãzinha as pernas tinham que começar a rolar.

     Falando propriamente da minha equipa, “RAPOSAS”, era composta: mim (Tojo), Moutinho, Oliveira (Frangos), Bastos, Teixeira e Gomes da Silva, que nos abandonou a meio do torneio para voltar ao Hawai para mais um Iron man (homem é uma máquina de guerra). Inicialmente colocados no Grupo E, com as equipas: Inv.Sap. Leixões, Div. Transito Porto, Volley 52, Ald. Volei 2010 e pelos Jesuítas, em que nos calhou velhos conhecidos destas andanças.
     O Sorteio ditou que no dia 29 Maio 2010, pelas 12H00, seria o 1º jogo, s nervos por norma são mais os nervos que o vólei jogado. Assim começamos contra os Inv. Sapadores leixões, jogo de extrema dificuldade, em que fomos à negra, tendo conseguido a muito custo a vitória por 2-1. Jogo seguinte, no mesmo dia, pelas 23H00 seria contra a Div. Transito, em que as velhas raposas, apresentaram-se apenas com 3 jogadores, tendo o Chefe Costa no início do mesmo se lesionado no joelho (a idade não perdoa), sendo-nos atribuída a vitória por 2-0. No dia seguinte, pelas 16H00, jogávamos contra os Jesuítas, pessoal de Sto. Tirso, em que o nosso ataque conseguiu um fácil 2-0, notando-se um aumento da qualidade do nosso jogo atacante. Segunda e terça-feira, eram dias de descanso no calendário, voltando à acção na quarta-feira, dia 2 Junho de 2010, pelas 20H00, desta feita contra o Ald. Vólei 2010, em que facilmente vencemos por 2-0, ficando assim a faltar um jogo para terminar a fase de grupos, tendo este sido cumprido na quinta-feira, dia 3 Junho de 2010, pelas 17H00, contra o Volley 52, colegas de gaia, em que voltamos a vencer por 2-0.

     Cumprida esta 1ª fase, entramos no cruzamento com os outros grupos como o 5º melhor primeiro, cruzando-nos assim contra o 6º melhor 2º classificado da fase de grupos, que correspondia aos Afelhados, tendo conseguido sem dificuldade uma vitória por 2-0. Nesta fase, já a GNR Matosinhos fazia das suas e eliminava uma das melhores equipas, ou seja os Brinca na Areia, finalistas vencidos no ano transacto.

     Estavam assim encontradas as equipas que iriam discutir os oitavos final, enfrentando-se o CI contra a 9ª esquadra; GNR Matosinhos contra Inv. Sapadores leixões; PJ contra a F.A.P e os Raposas contra os Beach Boys. Estes jogos teriam lugar no sábado à noite, em que o espectáculo prometia.

     Depois de encontros muito renhidos e de excelente vólei apresentado, passaram às meias - finais o CI, Inv. Sapadores leixões, FAP, que iluminou a P.J e nós (Raposas).

     Estavam assim reunidas as 4 equipas que domingos pelas 10H00 iriam discutir o acesso à final. A nós calhou na sorte o CI, equipa bi-campeã, com pessoal bem preparado fisicamente e excelentes atletas, em que sabíamos que a tarefa não seria fácil. Contudo e tendo em conta que o nosso jogo assenta no ataque fortíssimo, e este ano estava mesmo forte, com o Teixeira e Moutinho em grande plano e ainda com o Bastos a fazer o que lhe competia sempre que chamado, também não ia ser fácil para eles. O jogo foi-se desenrolando sempre com muito equilíbrio, sabendo de antemão que tínhamos de comer areia para ganhar a esta equipa, conseguido fechar o 1º set por 21-19. No 2º set e depois de estar com uma vantagem confortável, consentimos o empate, sofrendo ponto a ponto para conquistar o 2º set por 21-18, a vitória no jogo e a pequena “vingança” pelas iluminações nas anteriores edições. Foi o jogo mais bonito e renhido que fizemos, assentando esta vitória no trabalho de equipa, esforço, no suor e o arranhar.
     O outro jogo da meia-final ditava a confirmação do excelente jogo que vinha desenvolvendo os Inv. Sapadores leixões, que iluminou o pessoal da F.A.P, depois de ter ido à negra.
     Estavam assim encontradas as equipas que iriam discutir o 3º e 4º lugar, CI contra a FAP e os campeões, entre nós (Raposas) e os Inv. Sapadores leixões.
     O CI porventura desmoralizados pela derrota por nós imposta não conseguiram encontrar “armas” para combater o excelente jogo atacante demonstrado por um dos jogadores da FAP, infringindo uma derrota por 3-0, ficando estes assim em 3º lugar no torneio.
     Tudo estava preparado para novo confronto entre nós e os Sapadores, já que nos tínhamos encontrado no 1º jogo e na altura ganho por 2-1. Com bastante público na bancada, bom dia de sol e com música ambiente, o jogo lá começou pelas 16H15.
Depois de alguns ajustes e com a prática efectiva do nosso jogo, que consiste no ataque forte, conseguimos sem dificuldade o 1-0. No decorrer do 2º set adivinhava-se nova vitória fácil, que mais tarde aconteceu, tendo contudo no final do mesmo, o Moutinho ouvido numa disputa de bola, o músculo da perna dizer que não queria mais nada com areia. Ainda foi interrompido o jogo, massagens e mais massagens (pelo pessoal da Cruz vermelha, que se fizeram notar em todo o torneio), spray milagroso e nada resultou, tendo irremediavelmente de abandonar o jogo. Claro está que o futuro não estava risonho, com um dos pilares da equipa no estaleiro. Foi então que foi chamado ao rectângulo do jogo o Bastos, que não comprometeu sempre que chamado atacar, sendo compreensível que transportar perto de 100 kg a defender, com necessidade de rolar na areia não era fácil.
     Pagamos assim caro o facto de ter acusado em demasia a lesão do Moutinho, tendo sofrido dois set de imediato, estando assim a final empatada a 2-2. No 5º set, ainda tentamos tudo por tudo, sendo novamente chamado o Moutinho para defender os bolares “ciclónicos” de um dos colegas dos sapadores (na minha opinião um dos melhores atacantes do torneio) que confirmou que efectivamente não dava para continuar, tendo novamente reentrado o Bastos. Mesmo assim e com muita vontade de virar os acontecimentos as coisas não corriam bem na defesa, aliado ao facto de o ataque não ser decisivo, como foi nos dois primeiros sets, tendo novamente perdido o 5ºset e assim o jogo, ficado no honroso 2º lugar, ficando no ar a sensação da vitória fugida entre os “dedos”.

Em cima da esquerda para a direita: Teixeira, Moutinho e Bastos
Em baixo: eu (tojo) e Oliveira (Frangos)

     Em suma foi um bom torneio feito por nós, com excelentes jogos e jogadas bonitas de ataque, pois continuo a dizer que as Raposas, é a equipa mais bonita a jogar, pois privilegia o Ataque, ataque, ataque e ataque …

     Para o ano contem connosco pois prometemos trazer novamente vólei bonito às areias da Madalena e desta feita sem lesões.

     Um bem-haja ao trabalho da Cruz Vermelha e Bombeiros presentes todos os dias e a toda a hora, em que muito ajudaram quem precisou dos seus apoios. Parabéns e um abraço à organização, Reis, Gouveia e Emanuel pelo excelente trabalho que têm desenvolvido, força aí amigos.